As principais implicações das mudanças climáticas sobre a saúde da coletividade humana, tanto em nível global como no território brasileiro, são discutidas de forma sucinta, apontando as atuais vulnerabilidades e possibilidades futuras. A discussão feita é baseada em conhecimentos históricos sobre as relações entre a variabilidade climática e a saúde no Brasil, em resultados de pesquisas recentes sobre a distribuição espacial da vulnerabilidade no espaço geográfico brasileiro e na aplicação de conhecimentos de ordem mais geral, produzidos pelo IPCC. Estima-se que os fenômenos associados às mudanças climáticas signifiquem um estresse adicional sobre situações-problema já existentes, tais como: desnutrição, doenças infecciosas endêmicas e acidentes por eventos extremos. Riscos adicionais para a saúde pública também devem ser considerados, a saber: demanda excessiva sobre os serviços de saúde, problemas de abastecimento de água e possível aumento de distúrbios respiratórios. A metodologia utilizada no trabalho deve ser aplicada e adaptada considerando-se situações regionais, estaduais e municipais. O aperfeiçoamento dos programas de controle de endemias e seus vetores devem ser enfatizados. A opinião pública deve ser esclarecida sobre os impactos das mudanças climáticas para a saúde da população do país. A utilização de dados e informações provenientes do setor de saúde com aqueles correspondentes a setores como habitação, demografia, climatologia e meio ambiente, por exemplo, será de grande utilidade para a elaboração de cenários de vulnerabilidade integrados. |