Neste artigo são discutidos alguns dos principais efeitos das mudanças climáticas globais sobre a biodiversidade. Primeiramente, as entidades vivas são caracterizadas como desenhos genomorfofisiológicos ( dgmf ) que respondem às variações climáticas de uma forma dinâmica, integrando seus diferentes níveis de organização (genético, metabólico e morfo-fisiológico) de forma a gerar padrões emergentes específicos. Em seguida são discutidas as formas de reação da biodiversidade às mudanças climáticas globais utilizando o conceito de dgmf. A teoria de redes é introduzida através de um exemplo do dia-a-dia, usando o episódio da queda do vôo 1907 da GOL e o caos aéreo que se sucedeu. À luz dos conceitos fundamentais sobre redes dos tipos ao acaso e hierárquicas, os mesmos são aplicados para levantar a hipótese de que a biodiversidade provavelmente responde ao “ataque” às redes hierárquicas nos mesmos moldes que as redes aéreas ou a Internet. Tendo em mente o conceito de redes da biodiversidade, são feitas propostas para que se previnam os ataques às redes estudando nós de rede com baixa redundância (que são os nós mais vulneráveis) e/ou nós da rede que, apesar de não tão importantes, podem estar conectados a nós centrais das redes de biodiversidade, podendo provocar ataques do tipo cracker a estas redes, como ocorreu no caso do caos aéreo no Brasil. Finalmente, a visão de redes hierárquicas é expandida numa discussão sobre a conexão com a sociedade com base na proposição de Willian Ruddiman da existência de um período Antropoceno que compreende alterações provocadas pelo homem há 8.000 anos. É levantada a hipótese de que os ataques às redes de biodiversidade têm sido mais do tipo hacker do que cracker , mas se houver um ataque cracker relacionado a fatores das mudanças climáticas, tais como variações acima de certo limiar nas concentrações atmosféricas de CO 2 , na temperatura e na disponibilidade da água para os organismos fotossintéticos, o sistema de redes da biosfera pode alterar seu equilíbrio de forma muito drástica, gerando uma singularidade e passando para um novo estado. Sugere-se que já temos tecnologia e conhecimento suficiente para encontrar caminhos que evitem o desequilíbrio global, mas que isto exigirá um grande esforço intelectual e que provavelmente incluirá o uso da teoria de redes como ferramenta estratégica.