Mordendo a maçã:
o desafio da Inteligência Artificial

Yurij Castelfranchi (castel@sissa.it)
School of Science Communication –
International School for Advanced Studies (SISSA), Trieste, Italy
& LabJor/UNICAMP

 

Introdução
Num fragmento de um poema de amor, a poetisa Sappho de Lesbos (aprox. 620 A . C . ) escreve sobre uma mulher que estava indo se casar não muito nova:

Como uma solitária maçã vermelha,
você fica lá, no ponto mais alto da mais alta árvore…
Os coletores de maçãs deixaram-na lá. Eles se esqueceram de você?
Oh não, eles não se esqueceram de você. Eles não poderiam alcançar aquela altura…

Em 1954 Alan Turing, matemático, herói de guerra, matou-se ao morder uma maçã embebida em veneno. Apenas uns poucos anos antes, ele tinha atirado ao mundo uma maçã de discórdia, concebendo a possibilidade de uma “criança eletrônica”, uma máquina programável que poderia aprender, pensar, ser inteligente e, também, ter uma consciência. “As máquinas podem pensar?” – ele havia escrito. Ele pensava que sim, que um dia as máquinas pensariam one day . Hoje, alguns cientistas reivindicam que é impossível para as máquinas alcançarem o conhecimento, a inteligência e o pensamento reais. Outros dizem que a Inteligência Artificial (AI – Artificial Intelligence) representa um fruto proibido: um objetivo imoral e antiético. Alguns dizem que a maçã do conhecimento e inteligência ainda está verde para os computadores. Outros afirmam que a Inteligência Artificial está apenas acima de nós, como a maçã de Sappho: vermelha, pronta, mas muito alta para ser alcançada. O debate continua aberto. Entrementes as máquinas aprenderam a aprender e a jogar xadrez, a demonstrar teoremas e a realizar bons diagnósticos médicos, a interagir conosco e entre elas e a fazer muitas coisas que eram antes consideradas típicas de criaturas inteligentes. Numa perspectiva histórica, nós analisamos aqui, brevemente, as principais etapas, o estado da arte real deste antigo desafio e jovem disciplina e os principais argumentos a favor e contra a possibilidade de construção de seres com inteligência artificial.




 



 

 


#3 2004
A Mente-Humana
Iván Izquierdo.
A Mente-Humana: Abordagem Neuro-psicológica.
Benito P. Damasceno.
The Cognitive MRI Revolution.
Anna Cristina Nobre et alii.
Towards an Evolutionary Theory of Sleep and Dreams.
Sidarta Ribeiro.
Epilepsia: Uma Janela para o Cérebro.
Alexandre Valotta da Silva e Esper Abrão Cavalheiro.
Brincando com a linguagem e criando sentidos, ou cognição distribuída e emergência da linguagem.
Edson Françoso; Maria Luiza Cunha Lima; Orlando Bisacchi Coelho.
Biting the apple: the challenge of Artificial Intelligence.
Yurij Castelfranchi.
Cartografando a Mente,
Leonardo Bonilha.

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