
| Campinas Metropolitana: Diversidades Sócio-Espaciais
José Marcos Pinto da Cunha (IFCH/NEPO) - Unicamp
A concepção do Atlas parte da premissa de que uma análise mais abrangente sobre as características e os desdobramentos do fenômeno metropolitano podem facultar um melhor entendimento dos processos sócio-demográficos e dos problemas e/ou carências que afligem as populações regionais. Assim, embora não se descarte a necessidade de "leitura" convencional dos dados estatísticos, organizados no Atlas segundo o recorte político-administrativo municipal (Parte I), procura-se situar sua produção numa perspectiva inovadora, que apresenta os dados e informações segundo um recorte territorial distinto: a configuração da mancha urbana metropolitana (Parte II). Desse modo, busca-se evidenciar que as características sócio-demográficas transcendem os limites municipais e, por isso mesmo, devem ser apreendidas através de novas categorias analíticas, que permitam superar os limites formais entre os municípios. A adoção dessa conduta foi possibilitada pela interpretação de imagens de satélite, que abrem novas possibilidades de observação dos problemas, das oportunidades e dos desafios decorrentes da integração funcional e das contigüidades espaciais existentes em assentamentos humanos estruturados pela aglomeração urbana, como é o caso da Região Metropolitana de Campinas. A desagregação espacial das informações, utilizando-se os dados ao nível de setores censitários, também foi importante no sentido de superar os limites administrativos municipais. Do ponto de vista metodológico, o Atlas procura inovar também com relação à técnica de mapeamentos temáticos adotada. Assim, ao contrário da técnica de produção de mapas cloropléticos que, grosso modo, tendem a considerar o espaço de uma unidade de observação – por exemplo, o setor censitário – como homogêneo, o Atlas apresenta mapeamentos que lançam mão de técnicas de interpolação espacial. Estas técnicas permitem modelar o comportamento das variáveis utilizadas, considerando o espaço como uma superfície contínua. Como se pode perceber pelos resultados apresentados, a utilização desse procedimento permite não apenas explicitar tendências, como também "suavizar" comportamentos irregulares de variáveis que tendem a ocorrer devido à heterogeneidade que compõe o "espaço real". No que diz respeito à temática abordada no Atlas, registra-se que os dados e informações selecionadas apresentam uma visão geral sobre aspectos sócio-demográficos considerados fundamentais para evidenciar as principais dimensões responsáveis pela vulnerabilidade social das famílias e/ou domicílios na Região Metropolitana de Campinas. Assim sendo, foram abordados não apenas aspectos relativos à dinâmica e composição demográficas, mas também dimensões concernentes às condições de vida da população como educação, renda e infra-estrutura domiciliar. Em suma, o "retrato" apresentado no Atlas pretende permitir a "localização" de algumas especificidades da Região, esperando-se que as informações apresentadas possam ser úteis para usuários diversos, muito embora se tenha claro que um produto desse tipo constitui apenas um ponto de partida para um processo de planejamento de políticas públicas de caráter metropolitano. A escolha da fonte de dados para a construção do Atlas (Censo Demográfico), bem como o nível de desagregação dos dados (setores censitários), implicou na admissão de certas limitações, particularmente com relação ao grau de abrangência e profundidade com que as dimensões consideradas puderam ser captadas. Na verdade, o volume reduzido – mas não irrelevante - de informações disponibilizadas pelo IBGE para os setores censitários implicou, muitas vezes, na necessidade de recorrer a indicadores menos robustos, quando comparados à gama de indicadores existentes na literatura. Além disso, variáveis de interesse, computadas para o nível municipal, não puderam ser consideradas para o contexto intra-urbano, simplesmente por falta da informação no Censo no nível de desagregação dos setores censitários. Fundamentais para dar corpo ao recorte analítico adotado no Atlas, o acesso às informações desagregadas ao nível dos setores censitários, particularmente no que se refere ao Censo de 2000, é bastante limitado tendo em vista as restrições hoje impostas pelo IBGE para garantir sigilo e representatividade amostral. Assim sendo, os dados obtidos referem-se apenas àqueles constantes no boletim de "não-amostra" do Censo Demográfico que, embora traga vários quesitos referentes aos domicílios, informa apenas algumas características sócio-demográficas da população, como sexo, idade, alfabetização e, para os responsáveis do domicílio, educação e renda. Mesmo assim, os dados disponibilizados para 2000 não permitem a manipulação dos chamados "microdados", ou seja, dos registros individuais. De qualquer modo, mesmo frente às restrições oferecidas pelos dados, pôde-se chegar a um conjunto relevante de indicadores que refletem de maneira simples e imediata algumas das dimensões consideradas importantes para aferir não apenas as condições de vida da população, mas também a dinâmica demográfica e social existente nos vários sub-espaços da Região Metropolitana. Conhecer a heterogeneidade da metrópole e identificar sua diversidade sócio-espacial para respaldar ou subsidiar o planejamento de ações que incrementem sua governabilidade e sustentabilidade foi, sem dúvida, a maior motivação para a concepção deste Atlas. As dimensões consideradas na sua produção foram as seguintes: Dinâmica demográfica e características demográficas: incluindo elementos relativos ao crescimento, densidade, grau de urbanização e composição etária da população, a partir dos quais procura-se apreender a estrutura das demandas sociais dos diversos sub-espaços da Metrópole. Fluxos metropolitanos: abrangendo dados e informações que se referem à mobilidade das pessoas no interior de Metrópole. Os dados sobre mobilidade populacional, incluindo a mobilidade pendular, revelam as interações existentes entre os vários municípios metropolitanos, sugerindo suas relações funcionais, complementaridades e papéis no processo de (re)estruturação da metrópole. As áreas-dormitório, alguns subpólos e os vetores de expansão regional ficam claramente explicitados pela observação dos dados apresentados. Condição sócio-econômica: incluindo dados e informações sobre educação e renda da população, que são utilizados para mostrar a grande diversidade existente na região, uma vez que esses indicadores têm um poder discriminante significativo no que tange à diferenciação sócio-espacial da metrópole. Infra-estrutura habitacional: abrangendo os indicadores tradicionais sobre as condições dos domicílios metropolitanos em termos de abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo, que permitem evidenciar a grande diferenciação existente na região e, em particular, as áreas mais carentes de investimentos e, portanto, mais suscetíveis a riscos sócio-ambientais decorrentes da falta desses serviços essenciais. Também foi incluída a informação sobre o tipo de moradia, um indicador da evolução das formas de assentamento habitacional na Metrópole. Entre os resultados mais interessantes apresentados pelos Atlas destaca-se por um lado, a identificação da forte heterogeneidade intra-urbana apresentada pelos municípios, em particular por Campinas que, em termos médios, apresenta os melhores indicadores regionais. Ainda com relação ao diagnóstico em nível intra-urbano, o Atlas destaca a existência de uma "cordilheira da riqueza" e outra "cordilheira da pobreza" claramente estabelecidas ao norte e ao sul da Rodovia Anhangüera, respectivamente. Por outro lado, os dados apresentados mostram as mudanças nas características sócio-espaciais ao longo da década de 90, assim como dados sobre a mobilidade residencial e diárias dos "cidadãos metropolitanos".
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#4 2005 |
| La Diversité des Langues et L'Universalité de la Pensée Sylvian Auroux. |
| Scientific discourse and interpretation Eni Orlandi. |
| A Física em Três Tempos de Poesia Carlos Vogt. |
| A Retórica e a Ciência Dos Artigos Originais à Divulgação Científica. Luisa Massarani e Ildeu de Castro Moreira. |
| Divulgação Científica e Senso Crítico: Manual do Jornal Científico Luciana Clark, André Sasse, Emma Chen Sasse e Otávio Clark. |
| Simulação Numérica Philippe R. B. Devloo. |
| Signos da Vida: A Linguagem e os Significados do ADN. José Geraldo W. Marques. |
| Campinas Metropolitana: Diversidades Sócio-Espaciais. José Marcos Pinto da Cunha, Rinaldo Barcia Fonseca, Alberto Eichman Jakob e Roberto Luiz do Carmo. |
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